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sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Pedro Lima Entrevista: Clébio Cavagnolle





Perfil: é atualmente um dos âncoras do Jornal Hora News, da Record News e já teve passagens pela RIT - Rede Internacional de Televisão e Rede Brasil. É uma das melhores promessas para o jornalismo televisivo! 



1 – Antes de tudo, obrigado por ceder essa entrevista conosco. Primeiramente, gostaria de perguntar por que escolheu o jornalismo e como foi?

Eu que agradeço pela consideração de vocês com meu trabalho. Bem, o jornalismo veio para mim como convicção muito cedo. Desde adolescente, já sabia que era isso. Infelizmente, por diversos motivos, inclusive financeiros, não pude ingressar na faculdade tão cedo quanto gostaria. Tive de cursar Administração, inclusive quando trabalhava em banco, mas vi que estava perdendo tempo, porque não seria feliz naquela carreira. Então, me lancei logo no caminho dos meus sonhos. Acho que, quem opta pelo jornalismo, se o faz por uma questão ideológica, logo percebe que se trata de um dom. Corre nas veias. Você tem um senso de justiça e não consegue calar-se diante de certas coisas. Tem vontade de ajudar as pessoas, de poder fazer algo que impacte o mundo positivamente, ainda que seja algo pequeno. Talvez, meu defeito ou qualidade, é que enxergo o jornalismo como uma missão, não mera profissão ou modo de ganhar dinheiro. Embora fosse tímido na adolescência, tinha uma paixão enorme por TV. Acho que era um adolescente pouco comum, já que assistia a muitos telejornais, lia muitos jornais e revistas. Minha primeira experiência com isso, muito antes de pensar em cursar a faculdade, foi aos 15 anos, em uma rádio local de Ribeirão Pires, onde sempre morei. Ficava sempre durante as tardes de sábados no ar, horas e horas, inclusive. Me divertia com aquilo. E essa paixão pela comunicação me pegou. Entretanto, só consegui minha primeira chance em TV aos 23 anos, quando comecei como repórter voluntário de um canal de TV a cabo em Santo André, antigo Canal ABC 3, uma verdadeira escola e seleiro de grandes talentos. Foram quase cinco anos trabalhando voluntariamente no canal. Fiz grandes eventos, depois tive dois programas de entrevistas, ao vivo, e isso foi me dando o jogo de cintura necessário para as grandes coberturas que temos hoje. Foi um processo maravilhoso, e enquanto era voluntário, tinha de trabalhar em outras coisas para poder me sustentar. Fui até vendedor de planos de Saúde... Pena que vendi apenas um, ainda para minha própria avó.. rs.. A caminhada foi bem árdua, mas com muita luta e fé as coisas aconteceram, do jeito e no tempo que Deus quis. A televisão é algo que me encanta muito. Eu sonhei com isso minha adolescência toda. Tudo isso, dia após dia, me leva a certeza de que escolhi o caminho certo.

2 – Quem foi a maior influência nessa escolha?

Sempre tive o apoio da minha família, que jamais me forçou ou tentou influenciar para outro caminho. Tive um apoio especial da minha mãe e avó, além de tios e tias. Amigos também. Fui muito feliz neste aspecto, tendo incentivo de muita gente que me acompanha e dá ótimas dicas até hoje. Acho que além de minha mãe, minha maior fã era a avó Antônia. Ela me assistia e depois ligava dando dicas, ainda lá no comecinho. Infelizmente, ela não está mais aqui para acompanhar. Minha escolha pela comunicação teve ainda uma referência forte, em termos de exemplo a seguir: Silvio Santos. Como comunicador, pela inteligência e capacidade de improviso. Como homem de negócios, que do nada, tornou-se dono de uma fabrica de sonhos. Creio, inclusive, que ele seja referência para a maioria das pessoas que sonham com essa carreira em televisão. Evidentemente, no jornalismo, sempre tive admiração por nomes como Boris Casoy, Carlos Nascimento, Celso Freitas, Roberto Cabrini e Heródoto Barbeiro, com quem tenho o prazer de trabalhar, entre tantos outros nomes brilhantes. Mas, não tento imitar ninguém. Acredito que, quando somos originais, verdadeiros, as pessoas podem captar o melhor de nós: nossa essência. E isso deve mover nosso profissionalismo também.

3 – De algum modo, pensou em desistir do curso?

Nunca! Foi uma caminhada árdua e difícil, mais difícil ainda foi entrar na área, mas nunca pensei em desistir e nem recomendo. Não se desiste de um sonho, com o qual você se deita e acorda todos os dias em mente.

4 – Vemos que a linguagem do jornal televisivo mudou de um tempo para cá. Concorda com essa afirmação?

Concordo. As pessoas têm cada dia mais acesso, e de forma mais rápida, às notícias e informações em geral. Isso requer que a televisão também seja rápida, sem perder o senso crítico e ético, além de algo muito importante, que é a apuração. A linguagem, em termos da maneira de comunicar algo, precisou ficar mais próxima do telespectador. Não pode ser algo distante, formal demais. Tem que ser do jeito de quem assiste e quer a informação para aquele momento, por exemplo, das condições climáticas ou do trânsito para poder sair de casa prevenido. O jornalismo, cada vez mais, se rende à prestação de serviço, com o desafio de não perder a veia investigativa. É o nosso desafio e vamos nos adequando a isso.

5 – Qual é o balanço positivo e negativo nesses dez anos de carreira jornalística?

Não existe um balanço negativo. Acho que, mesmo as piores situações que enfrentei, foram aprendizados e me serviram de exemplo para não repetir, não me render às propostas que ferem minha visão, índole ou meus princípios. Eu gostaria de ter chegado onde estou mais cedo, mas, aprendi até isso. Que nem tudo é como nós queremos. Que as coisas têm um tempo certo, o de Deus, para acontecer. E creio que cheguei em um momento bom. Me sinto mais preparado para não decepcionar quem acredita em mim e quem me acompanha. Mais maduro para discernir o que é correto e o que pode não ser bom para minha carreira. Enfim. Ter passado por Assessoria de Imprensa, ter atuado em campanhas políticas, escrito para jornais impressos do porte do Estadão, além de revistas, me deram uma bagagem sensacional. Recebi propostas indecentes que me permitiriam ter ficado rico de um dia pro outro, mas não aceitei porque feriam meus princípios. Não me orgulho, porque penso que caráter não tem preço, e é o mínimo, atuar de forma correta é obrigação, não mérito. Também vi muito da minha ideologia ir pelo ralo nesta caminhada, porque quando saímos da faculdade, achamos que poderemos mudar o mundo. E aqui fora, não é tão simples. Já fui censurado nos meus tempos de impresso. Não pude publicar denúncias e tantas situações que nem vale à pena relembrar. Ainda assim, tudo isso me fez crescer, como profissional e como pessoa, sem perder, graças a Deus, minha essência.

6 – Houve muita discussão nas redes sociais durante as eleições, devemos impulsionar debates políticos mais “sadios” na internet?

Penso que o problema foi exatamente este: discussão. As pessoas criam verdadeiros embates, e isso não é saudável. Debates, sim. Trocar ideia, colocar opiniões, tudo isso é bom e ajuda o processo democrático. Agora, quando levam para o nível de ofensas pessoais, preconceitos, chegamos até a casos de xenofobia com os nordestinos, veja que absurdo! Debates de nível elevado sempre serão importantes, em especial sobre a Política aqui no Brasil.

7 – Para você, o que quer para o Brasil nesses próximos quatro anos?

Em especial, que acabemos com a impunidade. Que os criminosos paguem pelos crimes que cometeram com rigor. Que a corrupção seja devidamente punida e que nossa economia saia deste poço de estagnação. Nosso povo é muito sofrido e merece notícias melhores.

8 – É uma vitória estar na bancada do canal de notícias na Tv aberta?

Como relatei no início, caminhei bastante e comi muita poeira para chegar aqui. Embora quisesse que isto tivesse acontecido antes, reconheço que sou jovem, cheguei neste posto aos 31 anos. Perto de completar 33, me considero vitorioso. Estou em um excelente grupo de comunicação, e a Record News está em uma fase excelente. Somos o canal de notícias mais assistido pelos brasileiros mais uma vez, uma referência para canais internacionais e grupos de comunicação do mundo todo. Quando a CNN ou BBC, por exemplo, precisam da transmissão de algum fato aqui no Brasil, em geral usam nossa cobertura. Audiência boa, uma equipe unida e focada, uma chefia e direção que permitem oportunidades boas. Estou realizado e feliz com tudo que temos feito.

9 – Quais são seus livros, músicas e citações favoritas?

Gosto muito de livros reflexivos, biografias e jornalísticos. Minha leitura diária é da Bíblia, gosto disso porque me inspira, e acho que a relação que temos com Deus determina muito quem somos e para onde vamos. Além dela, ano passado li seis livros. Ganhei um de presente que gostei muito e recomendo: "Graça infinita", de David Foster. Ele faz uma ótima reflexão sobre o vício, o individualismo e a obsessão pelo entretenimento. Quanto a músicas, não sou muito eclético. Gosto de MPB e Rock Nacional, e também ouço muito instrumental e POP internacional. Não sou ligado a músicas da moda.

10 – Como você se vê daqui á 10 anos?

Difícil falar profissionalmente. Espero continuar com o respeito do nosso público e com as boas oportunidades que o Grupo Record me oferece. Em termos pessoais, espero estar casado e com um casal de filhos, tendo minha família e amigos ao lado.

11 – O que você recomenda aos futuros jornalistas?

Espero que eles não escolham essa profissão pensando em glamour ou dinheiro. Se acontecer, é consequência. Se não, não deve ser motivo de frustração. Jornalismo tem de ser levado como missão. Desejo que façam com ética, seriedade, sem se vender ou fazer jogo sujo que algumas situações podem impor. E que, quando chegarem ao mercado, sejam leais aos seus princípios, seus colegas e, acima de tudo, ao público que terá acesso ao que produzirem.

12 – Por último, que é Clébio Cavagnolle?


Acho meio pretensioso me descrever...rs. Em todo caso, diria que sou uma das pessoas mais falhas e complexas, repleto de inúmeros defeitos, mas que enxerga nisto tudo a oportunidade de melhorar a cada dia. No meio de tantos defeitos, enxergo um ser sonhador, que ainda acredita que, mesmo de maneira singela, pode auxiliar na construção de uma sociedade melhor. Vejo Deus em tudo, e desejo que Ele esteja em tudo o que faço. Busco não criar mais expectativas, ao contrário, permito-me ser surpreendido pelo bom e inesperado.



Convidado: Clébio Cavagnolle

Responsável: Pedro Lima

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