Perfil: é atualmente um dos âncoras do Jornal Hora News, da Record News e já teve passagens pela RIT - Rede Internacional de Televisão e Rede Brasil. É uma das melhores promessas para o jornalismo televisivo!
1
– Antes de tudo, obrigado por ceder essa entrevista conosco.
Primeiramente, gostaria de perguntar por que escolheu o jornalismo e
como foi?
Eu
que agradeço pela consideração de vocês com meu trabalho. Bem, o
jornalismo veio para mim como convicção muito cedo. Desde
adolescente, já sabia que era isso. Infelizmente, por diversos
motivos, inclusive financeiros, não pude ingressar na faculdade tão
cedo quanto gostaria. Tive de cursar Administração, inclusive
quando trabalhava em banco, mas vi que estava perdendo tempo, porque
não seria feliz naquela carreira. Então, me lancei logo no caminho
dos meus sonhos. Acho que, quem opta pelo jornalismo, se o faz por
uma questão ideológica, logo percebe que se trata de um dom. Corre
nas veias. Você tem um senso de justiça e não consegue calar-se
diante de certas coisas. Tem vontade de ajudar as pessoas, de poder
fazer algo que impacte o mundo positivamente, ainda que seja algo
pequeno. Talvez, meu defeito ou qualidade, é que enxergo o
jornalismo como uma missão, não mera profissão ou modo de ganhar
dinheiro. Embora fosse tímido na adolescência, tinha uma paixão
enorme por TV. Acho que era um adolescente pouco comum, já que
assistia a muitos telejornais, lia muitos jornais e revistas. Minha
primeira experiência com isso, muito antes de pensar em cursar a
faculdade, foi aos 15 anos, em uma rádio local de Ribeirão Pires,
onde sempre morei. Ficava sempre durante as tardes de sábados no ar,
horas e horas, inclusive. Me divertia com aquilo. E essa paixão pela
comunicação me pegou. Entretanto, só consegui minha primeira
chance em TV aos 23 anos, quando comecei como repórter voluntário
de um canal de TV a cabo em Santo André, antigo Canal ABC 3, uma
verdadeira escola e seleiro de grandes talentos. Foram quase cinco
anos trabalhando voluntariamente no canal. Fiz grandes eventos,
depois tive dois programas de entrevistas, ao vivo, e isso foi me
dando o jogo de cintura necessário para as grandes coberturas que
temos hoje. Foi um processo maravilhoso, e enquanto era voluntário,
tinha de trabalhar em outras coisas para poder me sustentar. Fui até
vendedor de planos de Saúde... Pena que vendi apenas um, ainda para
minha própria avó.. rs.. A caminhada foi bem árdua, mas com muita
luta e fé as coisas aconteceram, do jeito e no tempo que Deus quis.
A televisão é algo que me encanta muito. Eu sonhei com isso minha
adolescência toda. Tudo isso, dia após dia, me leva a certeza de
que escolhi o caminho certo.
2
– Quem foi a maior influência nessa escolha?
Sempre
tive o apoio da minha família, que jamais me forçou ou tentou
influenciar para outro caminho. Tive um apoio especial da minha mãe
e avó, além de tios e tias. Amigos também. Fui muito feliz neste
aspecto, tendo incentivo de muita gente que me acompanha e dá ótimas
dicas até hoje. Acho que além de minha mãe, minha maior fã era a
avó Antônia. Ela me assistia e depois ligava dando dicas, ainda lá
no comecinho. Infelizmente, ela não está mais aqui para acompanhar.
Minha escolha pela comunicação teve ainda uma referência forte, em
termos de exemplo a seguir: Silvio Santos. Como comunicador, pela
inteligência e capacidade de improviso. Como homem de negócios, que
do nada, tornou-se dono de uma fabrica de sonhos. Creio, inclusive,
que ele seja referência para a maioria das pessoas que sonham com
essa carreira em televisão. Evidentemente, no jornalismo, sempre
tive admiração por nomes como Boris Casoy, Carlos Nascimento, Celso
Freitas, Roberto Cabrini e Heródoto Barbeiro, com quem tenho o
prazer de trabalhar, entre tantos outros nomes brilhantes. Mas, não
tento imitar ninguém. Acredito que, quando somos originais,
verdadeiros, as pessoas podem captar o melhor de nós: nossa
essência. E isso deve mover nosso profissionalismo também.
3
– De algum modo, pensou em desistir do curso?
Nunca!
Foi uma caminhada árdua e difícil, mais difícil ainda foi entrar
na área, mas nunca pensei em desistir e nem recomendo. Não se
desiste de um sonho, com o qual você se deita e acorda todos os dias
em mente.
4
– Vemos que a linguagem do jornal televisivo mudou de um tempo para
cá. Concorda com essa afirmação?
Concordo.
As pessoas têm cada dia mais acesso, e de forma mais rápida, às
notícias e informações em geral. Isso requer que a televisão
também seja rápida, sem perder o senso crítico e ético, além de
algo muito importante, que é a apuração. A linguagem, em termos da
maneira de comunicar algo, precisou ficar mais próxima do
telespectador. Não pode ser algo distante, formal demais. Tem que
ser do jeito de quem assiste e quer a informação para aquele
momento, por exemplo, das condições climáticas ou do trânsito
para poder sair de casa prevenido. O jornalismo, cada vez mais, se
rende à prestação de serviço, com o desafio de não perder a veia
investigativa. É o nosso desafio e vamos nos adequando a isso.
5
– Qual é o balanço positivo e negativo nesses dez anos de
carreira jornalística?
Não
existe um balanço negativo. Acho que, mesmo as piores situações
que enfrentei, foram aprendizados e me serviram de exemplo para não
repetir, não me render às propostas que ferem minha visão, índole
ou meus princípios. Eu gostaria de ter chegado onde estou mais cedo,
mas, aprendi até isso. Que nem tudo é como nós queremos. Que as
coisas têm um tempo certo, o de Deus, para acontecer. E creio que
cheguei em um momento bom. Me sinto mais preparado para não
decepcionar quem acredita em mim e quem me acompanha. Mais maduro
para discernir o que é correto e o que pode não ser bom para minha
carreira. Enfim. Ter passado por Assessoria de Imprensa, ter atuado
em campanhas políticas, escrito para jornais impressos do porte do
Estadão, além de revistas, me deram uma bagagem sensacional. Recebi
propostas indecentes que me permitiriam ter ficado rico de um dia pro
outro, mas não aceitei porque feriam meus princípios. Não me
orgulho, porque penso que caráter não tem preço, e é o mínimo,
atuar de forma correta é obrigação, não mérito. Também vi muito
da minha ideologia ir pelo ralo nesta caminhada, porque quando saímos
da faculdade, achamos que poderemos mudar o mundo. E aqui fora, não
é tão simples. Já fui censurado nos meus tempos de impresso. Não
pude publicar denúncias e tantas situações que nem vale à pena
relembrar. Ainda assim, tudo isso me fez crescer, como profissional e
como pessoa, sem perder, graças a Deus, minha essência.
6
– Houve muita discussão nas redes sociais durante as eleições,
devemos impulsionar debates políticos mais “sadios” na internet?
Penso
que o problema foi exatamente este: discussão. As pessoas criam
verdadeiros embates, e isso não é saudável. Debates, sim. Trocar
ideia, colocar opiniões, tudo isso é bom e ajuda o processo
democrático. Agora, quando levam para o nível de ofensas pessoais,
preconceitos, chegamos até a casos de xenofobia com os nordestinos,
veja que absurdo! Debates de nível elevado sempre serão
importantes, em especial sobre a Política aqui no Brasil.
7
– Para você, o que quer para o Brasil nesses próximos quatro
anos?
Em
especial, que acabemos com a impunidade. Que os criminosos paguem
pelos crimes que cometeram com rigor. Que a corrupção seja
devidamente punida e que nossa economia saia deste poço de
estagnação. Nosso povo é muito sofrido e merece notícias
melhores.
8
– É uma vitória estar na bancada do canal de notícias na Tv
aberta?
Como
relatei no início, caminhei bastante e comi muita poeira para chegar
aqui. Embora quisesse que isto tivesse acontecido antes, reconheço
que sou jovem, cheguei neste posto aos 31 anos. Perto de completar
33, me considero vitorioso. Estou em um excelente grupo de
comunicação, e a Record News está em uma fase excelente. Somos o
canal de notícias mais assistido pelos brasileiros mais uma vez, uma
referência para canais internacionais e grupos de comunicação do
mundo todo. Quando a CNN ou BBC, por exemplo, precisam da transmissão
de algum fato aqui no Brasil, em geral usam nossa cobertura.
Audiência boa, uma equipe unida e focada, uma chefia e direção que
permitem oportunidades boas. Estou realizado e feliz com tudo que
temos feito.
9
– Quais são seus livros, músicas e citações favoritas?
Gosto
muito de livros reflexivos, biografias e jornalísticos. Minha
leitura diária é da Bíblia, gosto disso porque me inspira, e acho
que a relação que temos com Deus determina muito quem somos e para
onde vamos. Além dela, ano passado li seis livros. Ganhei um de
presente que gostei muito e recomendo: "Graça infinita",
de David Foster. Ele faz uma ótima reflexão sobre o vício, o
individualismo e a obsessão pelo entretenimento.
Quanto
a músicas, não sou muito eclético. Gosto de MPB e Rock Nacional, e
também ouço muito instrumental e POP internacional. Não sou ligado
a músicas da moda.
10
– Como você se vê daqui á 10 anos?
Difícil
falar profissionalmente. Espero continuar com o respeito do nosso
público e com as boas oportunidades que o Grupo Record me oferece.
Em termos pessoais, espero estar casado e com um casal de filhos,
tendo minha família e amigos ao lado.
11
– O que você recomenda aos futuros jornalistas?
Espero
que eles não escolham essa profissão pensando em glamour ou
dinheiro. Se acontecer, é consequência. Se não, não deve ser
motivo de frustração. Jornalismo tem de ser levado como missão.
Desejo que façam com ética, seriedade, sem se vender ou fazer jogo
sujo que algumas situações podem impor. E que, quando chegarem ao
mercado, sejam leais aos seus princípios, seus colegas e, acima de
tudo, ao público que terá acesso ao que produzirem.
12
– Por último, que é Clébio Cavagnolle?
Acho
meio pretensioso
me descrever...rs. Em todo caso, diria que sou uma das pessoas mais
falhas e complexas, repleto de inúmeros defeitos, mas que enxerga
nisto tudo a oportunidade de melhorar a cada dia. No meio de tantos
defeitos, enxergo um ser sonhador, que ainda acredita que, mesmo de
maneira singela, pode auxiliar na construção de uma sociedade
melhor. Vejo Deus em tudo, e desejo que Ele esteja em tudo o que
faço. Busco não criar mais expectativas, ao contrário, permito-me
ser surpreendido pelo bom e inesperado.
Convidado: Clébio Cavagnolle
Responsável: Pedro Lima

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